With a Little Help From My Friends

dezembro 27, 2024
6 mins de leitura

O ano era 2020, e eu acreditava verdadeiramente que era possível educar sobre raça com amor. Hoje em dezembro de 2024 eu não acredito mais que seja necessário, possível ou viável. Me provaram que eu estava errada. Mas segue bonito ver a pessoa que eu posso ser, e que feios são os outros. Este texto passou quase 5 anos não listado, mas está na hora de tirar os monstros do armário.

Notas de 2024

(originalmente publicado em abril de 2020 — feito para ambiente corporativo — por mais fantástico que possa parecer — de onde saí adoecida em 2022 e lido por pessoas negras que em 2024 afirmaram que minha construção de afeto é violência. Segue um pouco da “violência” que desperdicei.)

(*nomes alterados)

(Hoje o titulo seria “Pérolas aos porcos”)

What would you think if I sang out of tune?
Would you stand up and walk out on me?
Lend me your ears and I’ll sing you a song
And I’ll try not to sing out of key

Oh, I get by with a little help from my friends
I get high with a little help from my friends
Gonna try with a little help from my friends

Beatles — With a Little Help From My Friends

Esta semana que passou foi muito louca pra mim, passei a maior parte dos dias numa corda bamba, entre amar aquilo que faço e querer correr pras colinas.

Subimos uma montanha juntos com a venda da nossa primeira lalala* remota, que eu não tenho dúvidas de que vai ser um sucesso, mas parte de nós não estava tão confortável em comemorar, nem sabíamos como comemorar, lidando com uma situação racista.

Pra alguns de vocês não é novidade como eu tinha expectativas com relação a Black lalala*, e o que o fator pandemia e cancelamento desse projeto fez comigo. Eu chorei igual criança, sem entender porque, Fulana * e Ciclano* acompanharam o horror bem de perto. Mas só recentemente eu entendi o porque da Black lalala* ser tão importante pra mim, não era sobre um projeto, era sobre sobrevivência e o poder de mudar as coisas.

Somos as pessoas mais capacitadas para construir o que vai ser o futuro, eu acredito demais nisso. E sei que uma das minhas maiores aflições de quarentena é que a gente construa um mundo igual ou pior do que aquele em que a gente já está, para algumas pessoas.

Outra dor é a de deixar pessoas pra trás porque é difícil demais falar sobre alguns assuntos. Eu acredito na educação como ferramenta de mudanças de mundo, e pra que todos nós possamos construir o novo novo mundo da melhor maneira possível , da maneira como eu acredito, a gente vai precisar lidar com o elefante branco na sala.

Esta semana eu escolhi deixar vocês pra trás e doeu demais em mim porque eu não sou essa pessoa. Mas felizmente to aqui pra tentar até o final fazer aquilo que eu acho certo, funcionando ou não.

Eu reuni alguns textos para que a gente leia, não importa a ordem e nem em que tempo. Estou separando vídeos e coisas bem curtinhas na tentativa de colocar todo mundo na mesma página.

Ah mas não tenho tempo pra isso.

Super entendo,é chato demais, mas do fundo do meu coração TENTA. Ninguém tem esta obrigação, mas por favor tente. Nada do que está aqui substitui a Black lalala*, mas pode ser o inicio de conversas menos doloridas.

Caixa de Perguntas

Existe um email, para que vocês possam fazer as mais diversas perguntas, mesmo sem ler uma linha dos textos. Vocês entram neste email (perguntinhas.dificeis@gmail.com) com a senha que mandei e podem fazer a pergunta anonimamente. Mandem pra lalalalala*mariarita@gmail.com. Eu vou responder tudo e toda semana que tiver alguma coisa pra responder mando pra todos por email. Quem se sentir confortável de fazer as perguntas dos seus e mails particulares : faça. Eu vou tentar responder tudo o que eu conseguir, e o que não conseguir peço ajuda para os universitários.

O que a gente faz é grandioso sim e a gente acredita no fazer, então bora? Vamos conversar?

ps* — Não é pra ler tudo de uma vez e nem assistir tudo de uma vez, não seja muito louca/louco.

ps** — “Já assisti tudo aquilo ali embaixo” — Assiste de novo ❤

Privilegio Branco

Calma, branco! Branco é também uma metáfora de poder.
A meritocracia de quem “larga tudo para fazer o que gosta” é branca e masculina — Geledés

Dicas Valiosas

9 coisas que pessoas brancas não deveriam dizer sobre racismo
6 coisas que pessoas aliadas da luta Anti-racista não podem esquecer!
10 frases racistas que as mulheres negras escutam (ou denunciando o racismo e sendo acusada de…

Feminismo e Negritude

Enegrecer o feminismo, uma questão de prática
Consciência negra para feministas brancas

Condição do Negro Brasileiro

(só) a escravidão (não) explica a condição atual do negro brasileiro

Colorismo

Colorismo existe
De racismos sutis e colorismo.
Peles claras, Mentes Brancas
Morena, Parda ou Negra? A invenção do Colorismo. — MPA Brasil
Colorismo e suas implicações
Branco sempre sabe quem é negro. Nós, negros, é que nos confundimos (e nos dispersamos)!

Estereótipos racistas

Reconhecendo estereótipos racistas na mídia norte-americana
A quem serve o mito da agressividade da mulher negra.
Timidez ou racismo? Como o preconceito silencia as mulheres negras
Deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata!

Apropriação Cultural

Má que diabos é apropriação cultural?

Alguns aspectos com que lidamos como comunidade

A boca negra — o instrumento que a branquitude quer e precisa controlar para se proteger.
Sobre a culpa patológica
Auto-ódio, solidão do povo preto e gente filha da puta.
Maternidade e racismo: a exclusão das mães negras — Geledés
Um Manifesto pelo Direito de Ser Frágil (quando a sociedade exige que sejamos tão fortes)
OS ASPECTOS COTIDIANOS QUE O RACISMO INFLIGE AOS CORPOS PRETOS

Negro e o Mercado de Trabalho

Gestor, quantos negros existem na sua equipe?

Solidão da Mulher Negra

Meninas pretas não ganham flores
Para as mulheres negras, só o amor próprio não basta
A carne mais exótica do mercado
“É preciso discutir por que a mulher negra é a maior vítima de estupro no Brasil”

Genocídio da população preta

A violência de Estado nas periferias: genocídio físico, material e cultural
“Não é um genocídio rápido, mas o lento genocídio da pobreza”

Construção do afeto e Sexualidade

Amar é resistir
A cor da feminilidade não é a minha
A difícil arte de ser negro e ter autoestima
Ao mesmo tempo
Amando Masculinidades Negras.
As Relações Afetivas Negras e como elas tendem a ser complexas.
Silêncio não mais: uma reflexão do feminismo negro sobre a pornografia
A Mulher Negra e a Não Monogamia na prática

Saúde mental da População negra

A saúde mental do negro no Brasil
Um diálogo entre negritude e loucura
O nada negro: suicídio como consequência do racismo
O privilégio branco da adolescência tardia
A forma em que falamos sobre doença mental é racista

Crianças

Racismo na infância: terreno fértil para a violência
Educar crianças sem preconceito racial

Pode fazer mais sentido pra Fulana*, Ciclana* e Beltrana* mas a leitura acrescenta pra todo mundo

Movimentar-se para além da dor — bell hooks
27 anos contrariando as estatísticas: Estratégia de autocuidado para lutar contra o racismo
Sobre a culpa patológica

Negritude e questão LGBTQI+

pode a mulher negra falar a língua lésbica?
Amando Masculinidades Negras.
Com os Gays Negros Tudo Pode?
AMOR AFROCENTRADO É VOCÊ CONSIGO MESMO
To Be Young, Gay, Gifted and Black…

Bons filmes ( sempre um documentário, 2 dramas, e 2 levinhos ( na medida do possível né) — mando mais por email)

What Happened, Miss Simone? (2015)

A Cor Púrpura

Bem-vindo a Marly-Gomonts

BlacKkKlansman — Infiltrado na Klan

Conduzindo Miss Daisy (não tem em streaming — então de seus pulos ❤)

Series pra começar a ver

Insecure

Atlanta

Maria Rita Casagrande

Escrevo para não enlouquecer, sobre coisas que já me enlouqueceram.

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Sobre

Escrevo sobre a vida e coleciono pequenos fragmentos: livros, comidas, afetos, viagens internas e externas. Gosto de transformar obsessões passageiras em palavras permanentes.Acredito que é nos detalhes que a vida acontece.

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