Sobre

Este blog é um exercício de retorno à escrita em seu estado mais cru, um espaço onde o fluxo do pensamento vai acontecendo e se desdobrando. A ideia é permitir que as minhas reflexões não se moldem em convenções sociais e nem sejam domadas pela urgência da performance digital.

Mantenho um blog desde 1996, sou blogueira antes de ser muitas outras coisas. Mas ao longo dos anos fui perdendo o prazer pela escrita, fui adaptando minha palavra ao gosto do freguês e a paixão foi morrendo. Aqui, espero que a palavra resista a ser produto, à pressa de um consumo imediato, e espero também que possa ser uma tentativa de capturar o inconstante na minha vida, o fugaz, bobo, as coisas que me disseram a vida toda não ter a menor importância mas que são grandiosas pra mim, aquilo que o que acaba escapando no meio do dia a dia.

Fazer online aquilo que eu faço em inúmeros cadernos que acabam dramaticamente queimados, ano após ano.

É um diário aberto, um espaço de convivência com a minhas questões, as contradições, onde o pensamento se permite ir do íntimo ao político, do concreto ao abstrato, do silêncio à declaração. Um lugar para acolher as inquietações que surgem das leituras , sejam elas de Annie Ernaux, Marguerite Duras ou Chimamanda , dos filmes que assisto, das lembranças que persistem, das minhas tensões do presente que insistem em exigir sentido.

Nesse terreno, a escrita não tem a obrigação de performar, nem de agradar. Ela é o registro cru e necessário do que me atravessa, o espaço onde o mundo interior encontra o mundo lá fora, em diálogo constante e aberto.

Um país só meu.