Larissa

março 22, 2020
1 min de leitura

Hoje meu peito doeu como se não existisse ar o suficiente no mundo pra encher meus pulmões. Isso nada teve a ver com vírus, com doença, com espaços fechados. Foi um experimento de perder alguém que amo, um filho, uma filha. Areia no mar que escorre entre os dedos.

Passamos a semana toda conversando sobre entender o amor ou a paixão. Acho a coisa mais linda do mundo quando você coloca em palavras aquilo que você traz no peito. Acho lindo mas é algo que eu não quero pra mim, parece doer, parece te tirar o controle dos dias. Você se diverte e ri dos meus medos, eu observo o quanto você é destemida.

No tarô a carta que vira é uma mulher com uma taça gigante repleta de água, amor imenso que sufoca, afoga, e é tudo que eu tenho. Talvez eu saiba amar mais do que eu entendo, outros tipos de amores.

Somos tão ligadas uma a outra que achei que os meus pensamentos cruéis sobre mim pudessem de alguma forma passar pela sua cabeça, e que você pudesse fazer as escolhas erradas que eu coleciono em caixinhas bonitas. Fui tomada por um pavor que me movimentou, fez meu corpo coçar, os perigos sumirem e foi assim que o ar ficou rarefeito.

Hoje eu achei que alguma coisa ruim pudesse acontecer, e meu mundo em câmera lenta parou de vez.

Talvez tenha sido sua lição sobre o que é amar. Talvez você apenas não saiba o quanto amor existe ao seu redor. Te quero bem. Preciso que você me ensine sobre amar, sorrir, ser arrastada por grandes ondas, estragar sapatos e ainda parecer elegante, ter uma paleta própria, saber se doar, permitir encantar e ser encantada.

Se pudesse te manteria embaixo das minhas asas, você sabe que sim e sabe onde encontrar colo.

Hoje é um daqueles dias em que você poderia bater o pé, comer coisas que dão alergia, misturar vodca com catuaba e um vinho do porto e eu não teria nenhuma frase de senhorinha para alertar sobre o “perigo iminente” de tudo dar errado.

Não me assuste mais assim. Não se assuste mais assim. Você nunca vai estar sozinha.

Maria Rita Casagrande

Escrevo para não enlouquecer, sobre coisas que já me enlouqueceram.

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Sobre

Escrevo sobre a vida e coleciono pequenos fragmentos: livros, comidas, afetos, viagens internas e externas. Gosto de transformar obsessões passageiras em palavras permanentes.Acredito que é nos detalhes que a vida acontece.

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