Durante muito tempo, me senti obrigada a responder tudo imediatamente. Mensagens, críticas, convites, provocações. Era como se o silêncio fosse sinônimo de descaso, fraqueza ou desatenção. Como se eu tivesse que me posicionar o tempo todo — rápido, coerente, precisa. Eu confundia presença com prontidão. Amor com disponibilidade instantânea.
Só que essa urgência constante começou a me adoecer. Eu não sabia mais o que era resposta verdadeira e o que era reflexo condicionado. Meus “sim” saíam antes que eu pudesse sentir se queria mesmo. Meus “não” vinham cheios de culpa. As discussões me deixavam em alerta por dias. E mesmo depois de responder, eu ficava remoendo: será que foi certo? Será que fui clara? Será que me entenderam?
Foi aí que comecei a praticar o que chamo de resposta em maturação.
Nem tudo precisa ser respondido agora. Nem tudo precisa de resposta, inclusive.
Aprendi que o espaço entre o estímulo e a reação é onde mora a minha autonomia. Que o silêncio pode ser um recurso de proteção. Que respirar antes de falar, escrever ou decidir é um gesto de responsabilidade comigo e com o outro. Que às vezes o mais honesto que posso oferecer é: “preciso de um tempo pra pensar sobre isso”.
Hoje, não me culpo por demorar. Escolho escutar o que o corpo sente antes de colocar palavras no mundo. Escolho não devolver na mesma velocidade que recebo. Porque sentir também exige tempo. E maturar uma resposta é, na verdade, um ato de respeito.
Demorei para entender isso. E talvez ainda demore para incorporar de vez. Mas toda vez que não reajo no impulso, algo em mim agradece. Como se eu dissesse para mim mesma: “eu me escutei antes de falar”.
E só isso, às vezes, já muda tudo.

